sexta-feira, 29 de maio de 2009

Tic-Tac


Tenho pressa de alcançar, não tenho vontade de correr, quero tudo o que me podem dar, quero tudo o que não posso ter.
O relógio conta as horas, de mansinho vou-me apercebendo que já passou tanto tempo e eu continuo aqui, sentado no cume deste monte chamado solidão, sentindo o que sempre senti, vivendo o que sempre vivi. Tempo a mais para quem enfrenta a solidão é apenas um segundo de sopros de desespero do coração.
Por mais montes que queira ultrapassar, tenho que aprender a evitar este árido cume e viver calmamente, um segundo de cada vez no fértil vale da felicidade.
Porque um segundo que paras são 60 segundos que perdes, eu não quero perder nem um minuto no cume da montanha.

Deslumbramento


Eu sei que é tão raro hoje, neste dia cinzento, que a meus olhos traga alegria algo tão intenso que por sombras me recorda o deslumbramento.
Deverei, então, culpar eu o desencanto? Este mal que talvez tenha saído do seu recanto no lado sombrio da alma humana e passe agora a fazer parte, ele e a sua arte, de um eterno desafio, serei eu digna de sentir?
Sei já que o maior mal é o desencanto porque, de recanto em recanto de minha alma perturbada, me foi impedindo, de mansinho, de sentir.
Oh! Tão profunda mágoa a minha que me ocupa o pensamento! E eu aqui tão sozinha, procurando o deslumbramento.
- Onde estás tu que me fazias sonhar com um simples sopro de vento?
- Onde estás tu, tu que perdi em pensamento…
E hoje aqui sentada, neste beiral de janela mundana, procuro a beleza da vida que, com um sorriso, em criança olhava, e agora apenas vejo aquela aguarela de tons pálidos em que a vida se tornou.
No fundo queria apenas de volta o deslumbramento que me inundava quando contemplava a vida com os olhos felizes de quem a pinta de todas as cores.
Quero ser feliz, quero ser criança, quero sorrir sinceramente com a calma de alguém carente apenas de um abraço protector.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Liberdade


Ao fim de tanto tempo presa em correntes imaginarias de lágrimas que doíam de verdade, aprendi que, depois da neve de inverno, vem o Sol e reconforta a alma, ensina a ver para além do horizonte de névoa.
Por ti vivi, aprendi e cresci, agora sou uma pessoa diferente, sou de novo eu mas de uma forma infinitamente mais consciente do mundo que me rodeia e de como ele pode ser maravilhoso.
O Sol nasceu para mim, finalmente encontrei o final do túnel e sou agora parte do mundo real, e não daquele sub-mundo em que vivi durante tempo demais.
Agora que consegui subir à superfície, não vou voltar lá, estou demasiado feliz aqui e é aqui que vou ficar!