sexta-feira, 29 de maio de 2009

Deslumbramento


Eu sei que é tão raro hoje, neste dia cinzento, que a meus olhos traga alegria algo tão intenso que por sombras me recorda o deslumbramento.
Deverei, então, culpar eu o desencanto? Este mal que talvez tenha saído do seu recanto no lado sombrio da alma humana e passe agora a fazer parte, ele e a sua arte, de um eterno desafio, serei eu digna de sentir?
Sei já que o maior mal é o desencanto porque, de recanto em recanto de minha alma perturbada, me foi impedindo, de mansinho, de sentir.
Oh! Tão profunda mágoa a minha que me ocupa o pensamento! E eu aqui tão sozinha, procurando o deslumbramento.
- Onde estás tu que me fazias sonhar com um simples sopro de vento?
- Onde estás tu, tu que perdi em pensamento…
E hoje aqui sentada, neste beiral de janela mundana, procuro a beleza da vida que, com um sorriso, em criança olhava, e agora apenas vejo aquela aguarela de tons pálidos em que a vida se tornou.
No fundo queria apenas de volta o deslumbramento que me inundava quando contemplava a vida com os olhos felizes de quem a pinta de todas as cores.
Quero ser feliz, quero ser criança, quero sorrir sinceramente com a calma de alguém carente apenas de um abraço protector.

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